Barkin diz que Fed não pode contar só com os mercados para conter a inflação
O presidente do Fed de Richmond diz que está observando de perto as condições financeiras, mas quer que o ciclo atual se pareça com o ajuste de meio de ciclo dos anos 1990, e não com uma campanha prolongada de aperto
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O presidente do Federal Reserve Bank de Richmond, Thomas Barkin, diz que o banco central está muito atento às condições financeiras, mas não pode simplesmente presumir que os mercados manterão os custos de empréstimo altos o suficiente, por conta própria, para debelar a inflação. Ele disse esperar que o período atual passe a se parecer com o ajuste de meio de ciclo dos anos 1990, quando o Fed fez uma pausa após uma sequência curta de altas, em vez de continuar apertando.
O Fed elevou sua taxa básica em um quarto de ponto percentual na semana passada, sua primeira alta desde 2023. As declarações de Barkin surgem enquanto outros dirigentes adotam um tom mais firme. A presidente do Fed de Boston, Susan Collins, disse que uma postura de política monetária um pouco mais restritiva ajudará a trazer a inflação de volta à meta de 2% do Fed, e que as chances aumentaram de a inflação permanecer notavelmente acima dessa meta. Collins disse que a inflação persistente e o conflito renovado no Oriente Médio sustentaram seu voto pela alta da semana passada.
O vice-presidente do Fed, Musalem, disse que contatos empresariais planejam aumentos de preços próximos a 3%, mesmo descontando as pressões do lado da oferta, e que o Fed provavelmente precisa elevar ainda mais os juros para reduzir a inflação. O presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, disse que as próprias projeções do Fed podem não ser suficientes se a pressão inflacionária for impulsionada pela demanda, embora também tenha dito que uma alta de juros não reverteria os cortes feitos em 2025.
O tom de Barkin é mais dovish do que o de Musalem e Goolsbee, que enfatizaram que novas altas provavelmente serão necessárias e que os riscos de inflação seguem agudos. Sua esperança de um pouso suave nos moldes dos anos 1990, e seu reconhecimento de que não se pode contar apenas com os mercados para entregar restrição suficiente, sugere que ele vê espaço para uma pausa no ciclo de altas. Essa visão destoa do tom mais hawkish que tem dominado as comunicações recentes do Fed, num momento em que a maioria dos dirigentes ainda precifica um aperto adicional.